segunda-feira, 25 de julho de 2016

Gogó da Ema: O coqueiro-símbolo de Maceió

O dia 27 de julho de 1955 foi de muita tristeza para os alagoanos: um de seus principais símbolos caía, vencido pela força inabalável da natureza.
Foto Divulgação
Gogó da Ema era um coqueiro torto, que virou símbolo de Maceió por décadas, existente na Ponta Verde, quando o bairro ainda era uma região de sítios e suas praias eram notícias somente quando o assunto era a possibilidade de por lá se encontrar petróleo.
Foto Divulgação
A curva da Ponta Verde, onde ficava o Gogó da Ema, era um sítio de propriedade de Francisco Venâncio Barbosa, o Chico Zu. O famoso coqueiro foi plantado bem antes, ainda no final do século XIX, por dona Constança Araújo, como registram alguns historiadores.

Ninguém sabe quando a sua deformidade passou a ser admirada ou quem o batizou, mas sabe-se que começou a ficar famoso quando o avanço do mar na Ponta Verde derrubou a cerca e vários coqueiros do Sítio do Chico Zu, e o Gogó da Ema ficou acessível, a poucos metros da praia, podendo ser observado sem precisar invadir o lote e enfrentar os cachorros.
Foto Divulgação
A partir daí, rapidamente sua imagem foi propagada mundo afora por milhares de fotos. Muitos guardam, ainda, as imagens ou cartões-postais colorizados produzidos por estúdios alagoanos como o de Arnaldo Goulart. A imagem do coqueiro era tão forte que muitas empresas alagoanas da época a utilizavam como marca.
O coqueiro começou a receber atenção dos poderes públicos em 1946, na gestão do prefeito Reinaldo Carlos de Carvalho Gama, que mandou enterrar algumas estacas ao seu redor para protegê-lo. Em 1948, quando o prefeito já era João Teixeira de Vasconcelos, no entorno do Gogó da Ema foi construída uma pracinha com quatro banquinhos.

A responsabilidade de sua queda, em 1955, é atribuída as mudanças das correntes marinhas a partir da construção do cais de Maceió. O engenheiro Vinicius de Maia Nobre acredita que o Gogó da Ema já estava em idade adulta, mas que as obras do porto aceleraram o avanço do mar sobre o coqueiro.
Foto Divulgação
Com o avanço do mar na curva da Ponta Verde, muitos coqueiros foram caindo e também caiu o Gogó da Ema, mesmo com alguns cuidados que foram adotados para mantê-lo de pé, improvisando barreira de troncos, aterrada com arrecifes e cimento. Era uma solução apontada como ineficiente para impedir a ação agressiva das ondas do mar. No dia 27 de julho de 1955, às 14:20 horas, lentamente, cedendo a onda após onda, o cartão postal de Maceió foi vagarosamente caindo.

Houve ainda quem culpasse a extração desenfreada de arrecifes para a produção de cal como a causa do avanço do mar na região, ou mesmo a perfuração dos poços para a pesquisa da existência de petróleo.

Dois dias depois foi montada uma operação para reerguê-lo, mas, mesmo recolocado de pé com a ajuda dos engenheiros agrônomos Jesus Gerardo Parentes Fortes e Olavo Machado, o Gogó da Ema não conseguiu se recuperar.
Foto Divulgação
A operação durou três dias e contou com a ajuda de um carro guindaste da Companhia Força e Luz. Após 90 dias de tratamento, algumas folhagens reapareceram, mas o mar continuava a solapar a base do coqueiro, derrubando-o definitivamente.

Por sua importância para Maceió, sendo seu símbolo mais conhecido por décadas, o Gogó da Ema recebeu uma homenagem em forma de monumento na praça batizada com o seu nome em um local bem próximo onde ele viveu seus dias de glória.
Foto Orlando de Almeida
Fontes: - Texto “Gogó da Ema” de Luís Veras Filho, Texto “Paixão e morte de um coqueiro” de Carivaldo Brandão, Livro Maceió de Outrora, de Félix Lima Júnior.

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